quinta-feira, 2 de maio de 2013

Não à indiferença

E ela viu-se, de um dia para outro, a prestar mais atenção àquelas conversas bobas, a guardar detalhes dele com uma facilidade incrível, a notar seus hábitos e os seus vícios de linguagem. Queria puxar assunto a todo custo, mas nunca nada lhe vinha à mente. Queria não parecer idiota, mesmo ela própria se achando uma, e fingir que nada estava acontecendo dentro de si, fingir que ela não estava se apaixonando e que o seu eu interior se encontrava na mesma paz de espírito de sempre. Tentava esconder os olhares furtivos e os sorrisos de canto de boca que lhe escapavam vez ou outra. Apesar dela achar que seus sentimentos lhe saltavam ao rosto, ele sequer notava.
Foi aí, na prática, que ela descobriu que ser magoada não é a pior coisa que existe, porque quem te magoa, querendo ou não, te nota. Quem te magoa gasta um tempo precioso para te fazer sofrer, te fazer chorar. Já quem não te nota, simplesmente sabe que você existe. Você e um grau de areia dão no mesmo. Seguindo essa linha de raciocínio, melhor ódio concreto à indiferença completa.


P.S.: Resolvi criar vergonha na cara e postar os textos que eu tenho aqui guardados. É engraçado ler essas coisas passado um tempo, acreditem.

sábado, 13 de abril de 2013

Num mundo sem sonhos

daqui
"Não tenho sonho não", foi a frase que eu escutei a uns dias atrás e que às vezes reaparece como assunto nos meus pensamentos. Se penso algo referente ao Canadá, lembro do intercâmbio que eu quero muitíssimo fazer, e aí me vem à lembrança o fato de que algumas pessoas, nesse exato momento, não se dão ao luxo de sonhar. Não têm esperança, não têm a vontade de imaginar um futuro diferente desse presente.
Imagine-se vivendo uma vida miserável. Imagine-se não sabendo que aquela realidade é miserável, porque é a única que você conhece, então você não tem com o que comparar. Você apenas vive por viver, por inércia.
Enquanto eu escrevo isso, no conforto da minha casa, tem gente penando por aí. Não me restrinjo apenas ao Brasil, a propósito.
O que fazer? Olha, sinceramente, parar de reclamar da vida já seria um bom início. E daí alguém pode pensar "ela fala como se não reclamasse" e, para evitar pensamentos assim, eu logo digo: sim, eu reclamo. Todos nós reclamamos. Não digo que devamos parar com as reclamações, pois algumas são até necessárias, só digo que, vez ou outra, devemos parar de procurar soluções para nossos próprios problemas e pensar um pouco além, tentar achar soluções para problemas que atingem outras pessoas. E se não pudermos, de imediato, resolvê-los, que os passemos adiante, para que outras pessoas possam se informar, para que o problema ganhe grandes proporções. Daí, aqueles podem resolvê-lo, estando sob pressão, o farão.
Esse mundo que abrigam milhares de pessoas sem sonhos é o nosso, e eu não quero viver num mundo assim.